Argila

 MEMORIAL DESCRITIVO 
Busto em Argila 

MODELAGEM EM ARGILA 

PROFESSORA: LUCIENE PONTES 

ALUNO: DÉBORA REGINA SILVA SANTOS 

IFPE – ARTES VISUAIS

A escolha: 

Preferi fazer o rosto da minha filha, Anne, uma criança de seis anos, primeiramente pelos traços pequenos e que eu não precisasse usar outra argila que não  a que eu tinha em mãos para compor a peça. Mas também, para que com o passar do tempo eu não sentisse a indecisão que senti nas primeiras  experimentações com argila. A indecisão e a falta de apreço para com uma peça que eu não escolhi com total certeza e ideia do que eu queria, me levaria a 

fazer o trabalho com tédio e me fazendo acelerar processos que não poderiam ser feitos rapidamente. Então fazer um rosto familiar e com o intuito de me  orgulhar e mostrar o trabalho para a modelo me levou a acertar mais vezes pela tentativa de ser mais paciente, e até a manusear a peça com mais cuidado. 

O processo: 

Desde a tomada de decisão da escolha do modelo, tirar as fotos de quatro lados da modelo, imprimir e emplastificar as fotos base.  

A argila foi limpa na medida do possível, com pouco tempo para terminar a limpeza completa em sala de aula, coisa que eu me arrependi depois com a  finalização sendo um pouco problemática com a questão de algumas pedrinhas miúdas no processo de acabamento.  

A primeira parte do processo de modelagem se deu por formas geométricas, primeiro uma bola, depois dois cilindros, um maior e outro mais curto. Esses  são respectivamente cabeça, pescoço e colo. 

Logo após, o processo de modelar o tamanho da testa, o nariz e a altura dos olhos, pra só então por em prática a técnica da bola oca, com  acompanhamento da professora Luciene. Cavando a parte de dentro, depois colando com barbotina. Alisado e empurrando até o corte não mais aparecer. 



FOTO: Técnica bola oca 

Materiais usados: 

- Linha de nylon presa em rolos de madeira 

- Esteca de metal, grande e redonda 

- Barbotina e esteca de metal para arranhar as bordas


A argila retirada da ocagem serviu para a modelagem do cabelo, que com a ajuda do monitor Saulo, foi feito com ranhuras por cima de um saco plástico, o  que ajudou para que não levantassem arestas na argila nas bordas das ranhuras. Os cachos foram descartados e o cabelo ficou num penteado de coque de 

bailarina, mesmo com a dúvida se ficaria seguro colado ao crânio. A textura do coque foi feito com as pontas dos dedos. A sobrancelha foi feita da mesma  maneira, mas no final, a decisão de colar uma camada a mais no rosto não funcionou perfeitamente, e uma das sobrancelhas acabou rachando. 

O colo do busto e o pescoço foram propositalmente mais curtos, o que ajudou com a cabeça poder ser maior, mas talvez tenha sido uma desvantagem pois  ficou em alguns momentos, sem uma base mais consistente, o que fazia a cabeça pender pra frente pois o peso a puxou muito mesmo depois de ocá-la,  então acabei tendo que puxá-la diversas vezes pra trás. 



FOTO: Antes e depois de uso de estecas na colocação dos olhos, formação da boca e desenhar o cabelo e sobrancelhas.

A parte mais difícil de fazer foi definitivamente os olhos, dos quais o ponto da argila, no terceiro contato depois de tratada, ainda era muito maleável, então  todas as quatro vezes que eu tentei fazer as pálpebras salientes, e a bola representando o globo ocular, elas entravam muito quando eu tentava integrá-la  na argila do buraco já feito usando estecas de madeira.  

As orelhas também tive a mesma dificuldade com a argila muito mole sendo empurrada para dentro do oco craniano, mas essas foram feitas não com  adição de mais argila, e sim puxando de outras partes da cabeça. Embora tenham ficado mais fundas do que o pretendido, consegui fazer do formato bem  parecido com o original. Nos olhos e nas orelhas preferi usar os dedos, unhas e instrumentos de plástico, mesmo que esses empurrassem ainda mais, pois  os instrumentos de metal ou madeira deixavam um resultado muito mais duro e pesado do que precisava no ponto da argila. 

Nesse momento, a próxima aula seria no sábado então deixei sem hidratar a argila no período de dois dias, o que facilitou muito para terminar,  principalmente as orelhas.  


FOTO: Cabelo texturizado, olhos e pálpebras colocadas e orelhas e boca em formação 

Material: 

- Estecas de madeira e plástico 

- Saco plástico

Material: 

- Seixos 

- Madeira 

- Borracha

Ainda no final desse encontro, que seria o último antes do hiato de duas semanas nem tocar na argila por conta da grave de caminhoneiros, o uso de  instrumentos de metal foi feito para dar impressão de tridimensionalidade nos olhos, mas só foi possível ser terminado depois de todo o tempo depois,  quando a argila já estava quase em ponto de osso. 




FOTO: Professora Luciene Pontes explicado como fazer o olho 

Materiais: 

- Instrumentos de metal 

A finalização se deu com uso de instrumentos de metal pontudos por conta da dureza da argila,  

foi feita os buracos nos olhos e também as narinas.

O resultado liso se deu por conta do uso exaustivo de seixos. A peça foi fotografada e guardada com alguns sinais de possíveis rachaduras na sobrancelha.


Uma semana depois, as suspeitas de rachaduras se confirmaram e uma parte significativa da sobrancelha se descolou da peça; algumas rachaduras entre os  olhos e a narina esquerda até o meio do nariz parece estar frágil. O cabelo também passar por algum desgaste, algumas partes se tornando muito seco, o  que pode ser um indício de que passou muito tempo em ambiente abafado com plástico “suando”. 

Considerações finais: 

A escolha de uma representação realista de uma modelo que eu conheço e que eu vejo todos os dias talvez tenha ajudado na construção da peça e o  empenho que pus nela com o intuito de presenteá-la também mudou a minha dinâmica com as técnicas, que na maior parte do tempo foi divertida, mas me  fez empenhar muito tempo e esforço físico. Gostei muito de aproveitar todos os tipos de texturas que experimentei, principalmente os mais lisos, que  deram uma sensação de que a peça tinha dado certo, embora eu não ache que essa deveria ser a preocupação primordial. A intenção era principalmente  fazer um desenho realista de uma pessoa querida. E embora ela mesma não tenha achado o resultado parecido, eu gostei muito do meu trabalho e ficou  uma mescla bem feita entre o que eu consigo fazer e a realidade do rostinho dela.





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