Competência, um conceito
Tive uma crise de choro na sala de aula. A melhor analogia para essa situação foi que me senti como uma garrafa de algum espumante com uma rolha presa mas já quase pra sair pela pressão. Aí no meio de uma explicação que a tempos eu estava penando pra compreender o que estava sendo pedido eu simplesmente fiz pop.
Não consegui segurar. E naquele momento não sabia que estava a tanto tempo sendo chacoalhada. Nem que estava tão próximo da rolha sair voando.
O que posso dizer? Naquele dia fazia 33 anos que eu me sinto incompetente.
Essa não é uma palavra muito frequente no meu vocabulário mas tem se repetido muito no meu cérebro quando ele quer se torturar.
Eu tenho plena ciência que eu evito até de começar uma coisa que eu não me veja com capacidade de terminar. Isso sempre foi o meu maior defeito. Mais do que preguiça, é a sensação de fracasso que me impede de dar começo aos meus projetos. Eu não quero começar algo que eu vou me sentir uma merda fazendo e ainda correr o risco, pior de tudo, de não terminar uma tarefa.
Hoje eu estava passando mais um fim de semana sem fazer nada que preste, ou no caso nada produtivo para os projetos que eu me comprometi a fazer. (E sofrendo cada segundo de ansiedade, seguido de uma fuga completa para parar de pensar nisso, e vivendo assim um ciclo eterno em picos de terror, desassociação e culpa)
daí um vídeo me faz pensar novamente em Divertidamente 2. É impressionante como esse filme conseguiu capturar exatamente o que é sentir uma ansiedade paralisante.
Mas aí veio a crise de choro do nada e a sensação de que eu deveria escrever sobre, outra coisa que eu me cobrava todo dia e nunca fazia, e a necessidade se fez bater no dutos lacrimais. Me imaginei contando para todas aquelas pessoas do qual eu chorei, e me senti fraca por estar chorando na frente delas... que eu não lido bem com a minha própria incompetência.
Que eu só estava ali porque estava fugindo dessa sensação sufocante de não ter sido capaz de fazer nada por mim nem pelos que eu amo nos últimos sei lá quantos anos... Que eu fugi de estar com a minha avó porque eu me sentia inútil em ajudá-la no que ela precisa. Que eu ainda me sinto culpada porque minha outra avó morreu enquanto tecnicamente estava em meus cuidados... que tudo isso está sendo uma carga horrível do qual eu não consigo fazer desaparecer, e agora que ficou visível até pra quem nem se importa comigo parece ainda mais insuportável.

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