Prometi a mim mesma que não ia me perder

 "Tenho andado distraído, impaciente, indeciso..."

Essa música tocou no meu ouvido ontem. Essa e hung up da Madonna. E aí eu tive que perguntar o que essa música dizia pois... dã, mensagens do universo.

Independentemente do que as músicas que me sussurram aos ouvidos, tenho muita coisa acontecendo ao meu redor. Quase nada realmente é relacionada a mim, ou é decisão minha. As minhas decisões eu já tomei, as promessas que eu fiz não podem ser desfeitas. Eu só tenho que seguir a estrada que eu já desenhei, andar pelos tijolinhos que eu já construí.

"Ainda estou confuso só que agora é diferente, estou tão tranquilo e tão contente..."

E eu estou feliz de verdade. Não só porque eu encontrei uma pessoa pra compartilhar minha vida, não só porque tenho independência suficiente pra escolher minhas próprias escolhas, nem só porque eu tenho apoio e minha cabeça está seguindo na direção certa. 

Foi exatamente o que eu pedi? Sim.

Eu estava preparada para receber? kkkk

Em parte estava. Estava pra perceber. Estava pra acolher. Estou pronta pra reorganizar tudo o que eu fiz como regra na minha vida. Estou disposta a ser mais flexível. Definitivamente.

Só não esperava que fosse tudo tão rápido. E é fato, está sendo tudo muito rápido. Eu pedi, entre diversas coisas, uma pessoa que eu sentia falta de ter. Eu preciso agora descobrir quem é essa pessoa além das minhas faltas. E sim, ele está disposto a suturar os rasgos que ainda estavam abertos. Mas para além disso, é uma pessoa. Descobrir quem essa pessoa é, além do que ela é pra mim se torna um trabalho que exige tempo. É um tempo delicioso, mas é tempo.

Eu pedi independência ao universo e ele está me entregando um teste. Se ainda serei eu mesma ao encontrar o outro. Se o meu tempo ainda será bem distribuído entre todas as coisas que me propus a fazer. Se os objetivos ainda serão os mesmos com alguém ao meu lado. 

Tenho fé que terei discernimento pra saber onde parar, respirar e continuar.

"Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém"

E tem também que o universo me desafiou ano passado a seguir: do que me faz eu mesma.

Sim, eu dei os primeiros passos. Sim, eu estou empolgada para essa nova fase. Sim, ele está me fazendo esperar e ter leves ansiedades...

Algumas coisas estão rápidas como um foguete, e outras eu preciso me acalmar pois ainda irão demorar. Minha vida profissional é algo que eu pedi e fui/estou sendo atendida. Vou respirar fundo muitas vezes, ter paciência mais do que o normal e definitivamente protegerei minha sanidade pra não precisar parar sem motivo. 

"Me fiz em mil pedaços pra você juntar, e queria sempre achar explicação pro que eu sentia..."

Agora... algo que é meu e de mais ninguém, é essa responsabilização em relações familiares um pouco além do necessário. A verdade é que eu sinto muito no corpo coisas que eu devia ter me perdoado e ainda não perdoei. Eu necessito desse perdão, e nem é só espiritual. É algo de mim pra mim.

Confissão. 

Essa palavra está na minha mente desde ontem. Ajuda que eu tenha ouvido a pregação de um padre (oi, Davi!). Eu escrevi textos no passado (que agora estou tentada a ir procurar só pra não ter que escrever), que ilustram exatamente o quanto eu não tenho coragem de verbalizar algumas coisas. Que eu sinto culpa de ter pensado... A culpa de não ter sido uma neta melhor está me envenenando. Não tem o que eu faça pela outra avó que me faça diminuir o sentimento de pesar pela morte da minha avó paterna ano passado. 

Eu preciso confessar que pensei, todas as vezes que eu me forcei a continuar, me esforcei em não rebater algumas falas e situações (e eu aceitei calada muita coisa), que ela ia inventar de morrer quando eu falasse qualquer coisa minimamente atravessada. Por isso mesmo eu nunca disse nada, mas era um pensamento recorrente. E infelizmente, no dia eu falei algo que eu ia me arrepender. E nem foi pra ela, foi para meu pai. Eu sei que eu não vou falar isso pra ele, que eu não tenho coragem pra isso, mas a raiva ainda está aqui. Tanto que eu tento ser compreensiva comigo e com ele, só que não tá dando certo.

 Sinto que essa relação não vai conseguir se sustentar por muito tempo porque ele estava e ainda está me sobrecarregando.

Se ela sempre sobrecarregou com um pensamento irreal de eu não o amava quando eu não conseguia sustentar minha saúde mental sem ajuda, imagina agora que ela morreu e eu só tenho ecos da voz dela em mim.

Boas relações familiares ainda são complicadas.

E tem também o medo. Meu medo de me perder em mim. De novo.

Quando eu finalmente tomo as rédeas da minha vida, o trauma diz pra mim "eu ainda não fui embora". E provavelmente seja só a dor de uma ferida que já cicatrizou por completo. Diferente das dos relacionamentos amorosos, as da saúde mental estão sempre tão incrivelmente visíveis que mesmo completamente curadas, ainda assim dão medo de vê-las reabertas.

Mas é isso, só medo. E uma mulher não pode viver com medo.

Conviver, talvez. E superar, com certeza.


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