Eu ainda estou em choque com a ruindade de The Bride!

( Isso não tem nada a ver com os textos que eu estou adiando escrever... nada, nadinha mesmo.)


Estou aqui terminando de uma análise sobre The Bride! e rindo sobre como eles conseguiram levar uma plateia desavisada para o cinema com um trailer que esconde completamente a narrativa, mas nem precisava porque o próprio filme já faz isso.

Eu não posso dizer o quanto, mesmo depois de três dias, ainda estou impressionada em como esse filme conseguiu ser insuportavelmente confuso. Não é só que é ruim, isso ele fica mesmo com os minutos passando sem diretriz, mas sobre como nessa estranheza, ele quis ser poético e só conseguiu ser nojento.

Não estou falando sobre o gore. É sobre as violências contra a mulher sendo usadas como narrativa. E nem é uma narrativa contínua. Não tem linearidade de nada. 

Infelizmente, chego ao final do texto sabendo com certeza que foi escrito por um homem. Um homem bem misógino. E esse era o problema, afinal de contas. Eu queria muito gostar de The Bride! porque ela tentou propor, ou em tese queria propor alguma reflexão feminista sobre uma história escrita por uma mulher.

Eu tenho um carinho muito grande sobre a história da Mary Shelley em si, não tanto pelo livro de Frankenstein, mas sobre a reflexão sobre como um homem pode querer tanto uma 'continuação sua' ou um sucesso aparente por 'uma criação', mas nunca querer realmente lidar com criar e educar essa sua criatura. Eu particularmente tenho uma interpretação muito cristalizada que Frankenstein é sobre paternidade e a falta que ela faz.

Mas eu nunca vejo essas reflexões serem levantadas sobre a história. É sempre sobre a loucura do Victor, e nunca sobre a negligência dele. Quer dizer, eu não vi tantos filmes assim do Frankenstein. Nem o do Del Toro. Talvez eu tenha uma visão diferente se eu fosse realmente a fundo... mas a questão com a "noiva do Frankenstein" tem uma raiz mais pautada em um discurso moderno e talvez muito mais incomodo porque é extenuante ver as discussões sobre.

A questão: a noiva escolheria ficar com o Frank? Porque no contexto que foi colocada, ela não teve escolha de dizer não.

Infelizmente isso é colocado tão fora de foco nessa adaptação...

Existe mais uma questão sobre o corpo, já que o Frank não é um monstro e não há tanta discussão se ela gosta dele ou não, já ele é o único que uma pessoa desmemoriada e sem cérebro funcional tem como companhia.

É tão assustador.

E ao mesmo tempo tão absurdo pensar que tem tantas subtramas que não conversam entre si nesse filme. Toda a parada da Aida (e toda uma subtrama sobre os nomes) ser uma das prostitutas que teriam testemunhado contra os crimes de mafioso que coleciona línguas... tipo, o que é que ela queria falar quando juntou tudo isso num caldeirão de referências ao cinema dos anos 40? 

E principalmente, porque diabos a Mary Shelley invadiria um corpo aleatório parecendo um papagaio?

Tudo desde essa primeira escolha é ridícula em gênero, número e grau. 

A primeira cena é de dar dor física.

Eu seria muito infeliz se fosse uma escritora retratada assim após a minha morte. Principalmente pra no fim dar motivo para um texto masculinista cheio de desprezo por mulheres.


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